Para conferir retenções na nota fiscal de serviço, identifique o serviço, as partes, o regime tributário e a regra vigente na data da operação. A existência de uma NFS-e entre empresas não torna todos os tributos automaticamente sujeitos à retenção.
Este roteiro ajuda prestadores, tomadores e contabilidade a organizar a análise. A informação do XML precisa ser confrontada com o enquadramento fiscal; um campo preenchido não comprova, sozinho, a obrigação ou o recolhimento.
PIS, Cofins e CSLL: quando conferir a CSRF
Os artigos 30 a 32 da Lei 10.833/2003 tratam de retenções em pagamentos entre pessoas jurídicas de direito privado pelos serviços previstos na norma. O percentual conjunto de 4,65% corresponde a CSLL de 1%, Cofins de 3% e PIS/Pasep de 0,65%, nas hipóteses aplicáveis.
Verifique as exceções, isenções e o tratamento das partes optantes pelo Simples. O artigo 31, § 3º, prevê dispensa de retenção de valor igual ou inferior a R$ 10, com exceção indicada para Darf eletrônico via Siafi. Esse limite se refere ao valor da retenção; a antiga acumulação mensal do § 4º foi revogada. Confira também a vigência das alterações antes de aplicar a regra.
IRRF, INSS e ISS exigem análises próprias
- IRRF: identifique a natureza do rendimento, o fato gerador, a base e o tratamento aplicável. A orientação da Receita Federal sobre IRRF inclui diferentes rendimentos e serviços entre pessoas jurídicas; não use uma alíquota única para toda NFS-e.
- INSS: confira o contrato, a modalidade de prestação e as regras previdenciárias vigentes. A orientação sobre contribuições previdenciárias de pessoas jurídicas aborda retenção em cessão de mão de obra ou empreitada; isso não equivale a retenção em qualquer serviço contratado.
- ISS: verifique o serviço, o município competente e a responsabilidade pelo recolhimento. Os artigos 3º e 6º da Lei Complementar 116/2003 tratam do local do imposto e da responsabilidade, com hipóteses específicas. Confira a legislação municipal aplicável; não presuma que toda nota tenha ISS retido pelo tomador.
Contratações públicas têm regras próprias. A IN RFB 1.234/2012 e suas alterações deve ser consultada conforme os órgãos e entidades abrangidos, sem transportar automaticamente seu tratamento para pagamentos privados.
Como conferir retenções no XML da NFS-e
Identifique a origem e a versão do arquivo antes de mapear campos. Consulte os leiautes e esquemas na documentação técnica da NFS-e Nacional ou a documentação do município/provedor correspondente. Não trate nomes de campos de um padrão municipal como equivalentes universais do padrão nacional.
- Identificação: confira prestador, tomador, chave, data, serviço e situação do documento.
- Tributação: compare o enquadramento aprovado com bases, valores e indicadores de retenção definidos pelo leiaute.
- Valor líquido: confira retenções, descontos e deduções conforme as regras do documento; não use uma fórmula única para qualquer NFS-e.
- Divergências: registre diferenças entre XML, representação da nota e contrato. Peça a correção pelo procedimento aplicável e preserve o arquivo original.
Antes de lançar no contas a pagar
Separe valor do serviço, valor devido ao prestador e tributos cuja responsabilidade de recolhimento foi confirmada. Confira parcelas, pagamentos anteriores e vencimentos para evitar que uma retenção seja descontada ou lançada duas vezes.
A captura de XML não comprova cálculo fiscal, transmissão de declarações, emissão de guias ou pagamento. Ao avaliar o Flow Fiscal, confirme a cobertura de documentos, os dados importados e as integrações contratadas. Este artigo não demonstra geração ou agendamento automático de guias tributárias pelo produto.
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